Em 2021, ainda durante Pandemia, resolvi “brincar” de falar de livros, sozinho ou acompanhado do meu filho Lucas, então com 5 anos. Mal sabíamos que, assim como Dom Quixote e Sancho Pança, estávamos nos lançando em uma aventura que não teria o mesmo “brilho” dos romances de cavalaria do século XVII, ou, para atualizar a referência, não encontraríamos uma boa acolhida nem mesmo de muitas pessoas consideradas “próximas”.
Quixote “enlouqueceu” de tanto ler livros de cavalaria e saiu pelo mundo para transformá-lo em um lugar mais justo para se viver. Eu, sem perceber, fui por um caminho parecido, no YouTube, que só não foi solitário porque tive, ao meu lado, uma espécie de “escudeiro em formação”. Líamos juntos, gravávamos, eu pensava em compartilhar com as pessoas mais próximas, mas, como tudo que faço, refletia sobre a seriedade de se colocar um conteúdo para circular na redes. Não estava apenas prestes a expor as minhas opiniões, mas o aprendizado do meu filho nesta aventura, em conjunto, com os livros.
Foram dele as primeiras palavras de incentivo! E quem me conhece sabe: quando o Lucas me olha, demonstrando orgulho e admiração, mesmo quando as coisas não vão bem, eu me sinto realizado e tiro forças não sei bem de onde para ir adiante. Esse empurrão inicial foi dele, mas muitas pessoas se somaram nessa caminhada. Fiz amigos que somente a literatura seria capaz de aproximar.
Hoje, 5 anos depois do início desta aventura, o canal está próximo de 10 mil inscritos, mantendo um número pequeno, mas fiel, de membros, e algumas importantes parcerias com editoras e escritores independentes. Existe verdade e convicção em tudo que faço e no Sujeito Literário não é diferente! Os livros sempre foram presentes, mas, na Pandemia, tornaram-se amigos, conselheiros e terapeutas, possibilitando que eu viajasse para outros lugares, além da realidade da doença e da morte. Em muitas dessas viagens levei o meu filho comigo, como no livro A Estrada, de Cormac McCarthy, fazendo “nascer o fogo” da nossa ética compartilhada entre pai e filho através da literatura.
Mas é preciso dizer que há uma diferença em relação à narrativa de Cervantes: o meu filho sempre acredita em mim. Se eu disser que vejo gigantes, ele também vai passar a enxergá-los e irá comigo em direção aos moinhos de vento! Foi com ele que aprendi que quem cria e recria a realidade são os que têm coragem de seguir em frente, independente de vaias ou aplausos, reconhecimento ou crítica, elogio ou ofensa.
Sujeito Literário, para quem não sabe, é um conceito que nasceu do encontro entre a literatura, a linguística e a psicanálise. A ideia é simples e ao mesmo tempo profunda: somos constituídos pelas histórias que ouvimos, pelas palavras que herdamos e pelos sentidos que construímos ao longo da vida. Não existe neutralidade absoluta. Toda palavra carrega memória, história e visão de mundo. Talvez seja por isso que os livros continuem sendo tão importantes: eles ampliam aquilo que somos capazes de pensar, sentir e imaginar.