Tempo para leitura e tempo nas redes: refletindo sobre a matéria da Revista Época

Em 2017, a Revista Época publicou uma matéria intitulada “Com o tempo que você gasta nas redes sociais, poderia ler 200 livros por ano”. Acho que essa matéria força um pouco a barra na questão do “número de livros” a se ler em um ano, porque, na minha visão, a quantidade pouco importa, mas concordo muito com a questão do “uso que damos ao nosso tempo”. Sobre como o utilizamos, sobretudo, nas redes, e o quanto podemos rever alguns hábitos antes de dizer “não tenho tempo pra ler”. Aliás, pensei se deveria estar escrevendo, aqui, mesmo ou vai ser perda de tempo, porque poderia estar lendo o livro do Calvino, mas, mesmo sabendo que quase ninguém vai ler até o final, vamos lá.

Se eu fosse olhar a minha rotina, seria fácil dizer que “não tenho tempo, nem ambiente para ler o quanto eu gostaria”, porque de fato não tenho. Às vezes o tempo que “sobra” é o tempo que estou morto de cansado e acabo lendo poucas páginas antes de dormir.

Mas eu tenho “dado o meu jeito”. Têm dias que não consigo ler, têm outros que acordo mais cedo e leio antes de sair para trabalhar; e há, ainda, os que estou mais disposto e leio até um pouco mais tarde, de noite. Isso não tem regra. Quando o Lucas (meu filho) está na escola e me sobra mais tempo, fora do horário do trabalho e finalizadas as tarefas da casa – o que é raro, porque sempre tem algo para fazer, inclusive, na rua -, eu leio um pouco mais. E olha que nem no final de semana tem sobrado tanto tempo, porque têm as gravações para o canal do Sujeito Literário, a edição dos vídeos, a produção do conteúdo para o Instagram etc, já que faço tudo isso sozinho.

Daí restam alguns momentos em que o Luquinhas está fazendo algo que requer menos a minha atenção, dando a possibilidade de colocar uns fones e ler algo com ele na volta mesmo. E assim vou lendo algumas páginas por dia. Ontem estava conferindo minhas leituras porque estamos chegando no meio do ano e, mesmo com toda dificuldade da rotina, já li uns 25 livros esse ano, sem que esteja pensando em quantidade. Apenas priorizando a leitura em detrimento de outras coisas, como passar tempo demais no meu perfil pessoal no Facebook, no qual fazia postagens mais frequentemente e mais extensas, como este texto que publiquei, originalmente, por lá.

O fato é que eu tenho estado menos nas redes e lido mais e não é de hoje. Já faz uns anos. Hoje, basicamente, compartilho o que li, ou estou lendo, na intenção de interagir com quem também se interessa por leitura, mas também para motivar quem ainda não desenvolveu o hábito de ler a fazê-lo. Sei como funciona a lógica, nas redes, e não fico esperando likes ou compartilhamentos, mas criei o Sujeito Literário com a intenção de realizar trocas com outros leitores e já fiz algumas amizades, com pessoas de outros estados, inclusive, com quem é possível trocar várias ideias sobre o que estamos lendo. Tem sido uma via de mão dupla e espero conseguir manter firme esse projeto porque, definitivamente, é frustrante ler e não ter com quem dividir o que a gente lê.

2 Comments

  1. Eu li até o final!! Parabéns pela vocação e pelo serviço prestado em forma de incentivo à leitura, principalmente nesse mundo tão cheio de estímulos externos, obrigações diárias e prioridades diversas. Façamos da leitura também uma prioridade!!

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