Você já parou para pensar que, para contar a nossa própria história, é preciso falar de nós mesmos como se estivéssemos falando de um “outro”? Hoje te falo do livro das memórias de Paul Auster – A invenção da Solidão.
Esse livro é um convite para que revisitemos as nossas próprias memórias da infância. Ao ler sobre a relação do autor com o pai e, depois, com o filho, é impossível não trazer à tona as nossas próprias experiências.
O livro é sobre a vida do autor, mas as anotações que fiz são sobre a minha vida. Essa magia está presente em todos os bons livros, mas, aqui, ele te pega pela mão e explica esse poder que está presente na literatura.
Auster fala de algo que percebi, por exemplo, lendo Dom Quixote, que é a força que existe nas histórias contadas dentro de outras histórias. Isto é, a possibilidade de fazer com que vejamos o que está diante dos nossos olhos, mas mostrando “outra coisa”.
Eu tenho entendido que ler é, ao mesmo tempo, um ato de solidão e uma relação de comunhão com o autor e os personagens, que, muitas vezes, são os próprios autores ou uma espécie de alter ego deles.
Chama a atenção, na segunda parte do livro, a opção do autor em mudar a voz narrativa da primeira para a terceira pessoa do singular, mas ele justifica de forma tão brilhante esse movimento que fechei o livro para aplaudir, da mesma forma que tive de parar a leitura, várias vezes, para deixar a emoção vir ou ficar com um sorriso no canto dos lábios.
Obrigado, Paul Auster, por essa “presença/ausência”, que me proporcionou essa conversa tão franca – e necessária – sobre a exigência da vida, que só pertence a cada um de nós, e sobre a permanência daquilo que nunca mais será, antes mesmo da chegada da morte!
Leiam!
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