Desigualdade e caminhos para uma sociedade mais justa, de Eduardo Moreira

Semana passada encerrei a leitura do livro Desigualdade e caminhos para uma sociedade mais justa, publicado pela Civilização Brasileira, de autoria do economista Eduardo Moreira. O autor é formado em engenharia pela PUC-RJ, estudou Economia na Universidade da Califórnia e é ex-sócio do Banco Pactual. Portanto, alguém que já vivenciou tanto a prática do mercado financeiro, quanto da academia.

Mas, para a minha surpresa, não é só isso. Ao final do livro, ele narra uma experiência em que decidiu passar algumas semanas vivendo em acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Essa espécie de “estágio de vivência”, arranjado pelo sociólogo Jessé Souza, que é quem assina o prefácio do livro, serviu para que Moreira pudesse conhecer, na prática, o processo de geração de riqueza deste grupo, onde, segundo o próprio autor, investir significa renunciar a uma riqueza atual, procurando multiplicá-la; isto é, baseada nos princípios da redistribuição e reciprocidade.

Entendo que o livro é uma porta de entrada bastante didática para compreender a origem e as causas da desigualdade social, em um país como o nosso, onde 1% da população concentra 50% da riqueza nacional. Na obra, autor apresenta os conceitos com exemplos simples (mas não simplistas) e diferencia, por exemplo, riqueza de dinheiro (que ainda são tratados como sinônimos). O dinheiro, conforme aborda Eduardo Moreira, é somente o canal – digamos assim – por onde a riqueza flui. De acordo com a perspectiva do autor, é
a quantidade e distribuição equitativa do produto que irá propiciar a medida da riqueza e não a quantidade de dinheiro acumulada.

A análise proposta, de certa forma abarca – e permite pensar -, os impactos e as motivações das recentes reformas trabalhista e previdenciária, no Brasil. Ele explica como os impostos são o principal elemento de redistribuição de riquezas, na sociedade moderna, revelando como que, historicamente, se mostra viável tornar-se uma nação forte se este instrumento for utilizado de modo a pensar no bem comum e não em privilégios; ou seja, aumentando impostos sobre patrimônio e renda e diminuindo impostos sobre bens e serviços.

Para exemplificar esse ponto, Eduardo Moreira fala da experiência dos Estados Unidos, que seguia esse modelo até a década de 1980, mas, durante o governo Regan, resolveu mudar os rumos de sua política econômica, em nome de um suposto “progresso”; como sugerem, hoje, para o Brasil, os idealistas das privatizações. Atualmente, os Estados Unidos é o país com maior geração de riqueza, mas, de acordo com o levantamento apresentado por Moreira, não está entre os 10 países com melhor índice de desenvolvimento humano e não possui um sistema público de saúde como o nosso.

E, de modo a evidenciar sua perspectiva crítica, o autor não fundamenta suas ideias apenas nos problemas evidenciados pelo capitalismo global. Em certo ponto do livro, ele também condena a concentração da riqueza nas mãos de um Estado que se torne totalitário, cujo objetivo seja o de privilegiar um pequeno grupo, à exemplo de algumas experiências ditas “socialistas”, do século XX, que, na prática, fizeram com que os partidos se achassem no direito de se considerar donos do destino das riquezas e do investimento de uma nação.

Para fechar o livro, amarrando muito bem seu ponto de vista, ele traz a experiência do MST, descriminalizando o olhar preconceituoso que se tem sobre o movimento e descrevendo o convívio que teve junto ao movimento. Ao explicar o processo de geração de riqueza dos trabalhadores rurais, ele evidencia algo que seria fundamental para diminuir a desigualdade em qualquer sociedade que se proponha, de fato, a vencer esse desafio: garantir que todos tenham acesso à uma parcela da riqueza pela qual são responsáveis diretos por gerar.

Recomendo muito a leitura!

Por Eduardo Menezes – Sujeito Literário

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Por: Eduardo Menezes – Sujeito Literário

2 Comments

  1. Parabéns !!! Excelente livro , Eduardo Moreira diariamente em seu canal com lives também é um a inspiração com ótimas entrevistas , um abraço ao coletivo “ sujeito literário”.

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