Por Eduardo Menezes – Sujeito Literário
Tomar consciência do mundo em que se vive pode gerar dor e sofrimento, como o habitante que resolve deixar a Caverna de Platão e sente a luz solar lhe ofuscar a vista. Mas essa dor momentânea deveria ser evitada para se viver, supostamente, de forma confortável, em um mundo de sombras? Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é considerado o primeiro livro, do ponto de vista cronológico, naquilo que se convencionou chamar de a “tríade distópica”, que conta, ainda, com 1984 e Fahrenheit 451.
Publicado em 1932, no contexto em que o mundo vivia o período do entre guerras, permite imaginar um futuro cuja organização social e interpretação das relações humanas podem servir de lição para situações que, de alguma forma, se mostram presentes nos dias de hoje.
O início do livro é um pouco cansativo, porque o leitor precisa ser introduzido à esse universo distópico, com muitos detalhes técnicos, sobretudo do ponto de vista biológico e tecnológico. Mas, feita esta contextualização, nos defrontamos com reflexões fundamentais para o autoconhecimento.
Como seria um mundo onde ninguém tivesse o “direito” de ser infeliz? Como lidamos com os sentimentos que não gostaríamos de sentir? Quantos subterfúgios usamos para não encarar a realidade, seja por meio da medicação ou de qualquer objeto que nos causa uma distração momentânea para uma dor que se quer, a todo custo, evitar? Qual o preço que pagam aqueles que querem ser verdadeiramente livres?
O que prefere a maioria das pessoas: a dor da verdade – e todos os sentimentos que dela decorrem – ou o alívio (inebriante e torpe) de uma vida de mentira? Uma “felicidade” condicionada é realmente felicidade? Esse livro é uma distopia de tudo que a “civilização” faz para manter em um estado de servidão hipnótica todas as classes que não podem tomar consciência de si mesmas.
A referência ao fordismo é perfeita. Nossas vidas como que em uma constante relação de produção em série, da origem à morte. Sem contar o lugar e o papel que este “admirável mundo novo” concede à cultura, à ciência e à educação. Quem ler vai encontrar explicação para muito daquilo que parece inconcebível, nos dias de hoje, nesse livro.
Trato detalhadamente da história, falando um pouco dos personagens e da contextualização da obra, no vídeo-resenha, disponível abaixo, que também está publicado no canal do Sujeito Literário, no YouTube. Quero convidar quem se interessou pela obra para dar uma olhada lá, se inscrever no canal e me contar quais as suas impressões sobre esta leitura ou, caso não tenha lido, se tem o interesse de fazê-lo.
Gostou da resenha? Então te inscreve em nosso Canal no YouTube e nos acompanha no Instagram!
1 Comment