Parafraseando o saudoso Francisco de Assis França – mais conhecido como Chico Science -, bastam algumas páginas à frente e você “já não está mais no mesmo lugar”. A música Passeio no Mundo Livre, de Chico Science e Nação Zumbi é inspiradora. Como toda poesia, cantada em verso e prosa, por esse grande artista que tão cedo nos deixou. Seu inegável legado para a cultura popular brasileira, como um dos principais protagonistas do movimento manguebeat, serve de ensinamento, também, para quem pretende criar ou retomar o hábito da leitura. E é disso que trataremos a seguir.
Você deve estar se perguntando, mas por que será que esta música veio à cabeça do Eduardo, hoje? Foi o que me perguntei antes de começar a escrever estas linhas, por aqui. Talvez seja porque ela sempre retorna quando percebo que viver é estar em movimento. Ainda mais em momentos como os de hoje em que, em muitas ocasiões, uma força que nem muito bem podemos nomear insiste em não nos permitir dar aquele passo a mais e “ir adiante”.
Leitura é hábito
A leitura é um hábito, tal qual o de ouvir música, escrever, navegar pelas redes e tantos outros. A diferença, talvez, é que, hoje, mesmo de forma dispersa, estamos constantemente em contato com as palavras. Seja no facebook, no instagram, no twitter, no whatsapp e, até mesmo, quando acionamos os botões dos players de vídeos, porque um texto, mesmo que verbalizado, não deixa de ser um texto, apenas muda a sua “materialidade”.
Mas o que pretendo sugerir, aqui, de modo bastante informal e sem querer dar nenhum tipo de “receita” para quem gostaria de retomar, ou desenvolver, o hábito da leitura, é o de se perguntar duas coisas:
- Eu realmente quero “ler mais” (ou ler melhor), já que, como dito anteriormente, estamos lendo o tempo todo, mesmo que não sejam exatamente livros? Por que eu quero ler mais (ou melhor)?
- Essa minha decisão por querer dedicar mais tempo à leitura (e aqui, agora, estamos falando exatamente de livros) é um sentimento que surge como uma obrigação ou uma tentativa de investir em uma nova opção de lazer, cujo objetivo maior é o crescimento pessoal e a busca pelo prazer?
Essas duas questões são fundamentais. Sabe por quê? Porque nenhuma medida “quantitativa” vai te ajudar a “ler mais” ou “ler melhor” se não for uma decisão tomada pelo equilíbrio entre a razão e o coração.
Ler, acima de tudo, deve ser prazeroso. Mas existem momentos na vida que precisamos ler muita coisa que nem gostaríamos de estar lendo e isso acaba minando essa perspectiva. Seja para o trabalho ou para os estudos (em diferentes níveis), quando a leitura se torna apenas uma obrigação, o sujeito literário que entra em formação é o que vê na leitura algo necessário, mas, muitas vezes, cansativo e não prazeroso.
Passos à frente na leitura
Decidir o que se pretende “ler mais” é um bom passo à frente. Descobrir qual gênero literário te prende mais, também. Às vezes, para isso, vai ser necessário tentar várias opções, de gêneros diferentes, e não se sentir culpado de largar um livro e tentar outro.
Outra questão importante é que, mesmo que tenhamos nos convencido de que “não temos tempo”, esse “tempo” aparece, em algum momento do dia, sobretudo porque para dar esse passo à frente, neste caso, não seriam necessários mais do que 20 ou 30 minutos diários. E com esse tempinho, a depender do ritmo de leitura, pode se ler 5, 10 páginas, ou até mais, por dia. Se você está preocupado com a quantidade – embora eu ache que essa não deva ser a sua maior preocupação -, caso leia 5 páginas por dia, todos os dias, você terá lido 1.825 páginas em um ano. Isso é o suficiente para ler toda a obra Os Miseráveis, de Victor Hugo (aproximadamente 1.550 páginas, a depender da edição), e ainda te sobra tempo pra ler outros livros incríveis, que são bastante curtos, como A Hora da Estrela, de Clarice Lispector (87 páginas) e A Metamorfose (96 páginas), de Franz Kafka.
Entendido isso – e se você chegou até essa parte do texto, que já se alonga, é porque realmente quer ler mais (ou melhor) – cabem duas últimas reflexões.
- Você, sinceramente, não dedica de 20 a 30 minutos do seu dia para ficar “rolando” as postagens das redes sociais? Não quer dizer que você não deva fazer isso, mas compreender que é possível, sim, criar este hábito, caso seja realmente do seu interesse. Caso não seja, está tudo bem também. Outra questão é de preferência. Têm pessoas que pegam o mínimo de tempo que possuem para descansar dedicando-o a assistir filmes e séries. Ótimo! Mas, se for do seu interesse, tente avaliar se não é possível fazer as duas coisas ou escolha a que mais te dará prazer em um dado momento.
- O último ponto importante é que cada pessoa funciona de um jeito. Eu consigo ter mais concentração para leitura à noite ou logo que acordo, entre 6h30min e 7h30min, sendo a primeira coisa que eu faço, com a cabeça ainda descansada e sóbria. Depende da minha rotina, se é dia de semana ou fim de semana. Enfim, você precisa achar o seu melhor momento, de acordo com a sua rotina e o funcionamento do seu organismo. Caso não faça isso vai culpar a leitura pelo “sono” ou a “falta de concentração”.
Quer dar esse passo à frente? De início, não precisa nem se dedicar a ler romances, contos ou novelas. Ler uma poesia, em cada momento que “sobra” do dia, não levará mais do que alguns instantes, mas, caso a escolha do poema seja certeira para você, irá repercutir em suas ações ao longo de todo dia, por semanas e até para uma vida toda. Constitua-se, acima de tudo, enquanto alguém que procura dar sentido às suas escolhas e colocar amor no que faz.
Uma boa leitura a todos, caso estejam dispostos, neste momento, a dar esse passo em direção ao incrível universo literário!
Por Eduardo Menezes (editor do Projeto)
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Parabéns ! Ótimas reflexões e dicas .
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Valeu, meu amigo! Abraço!
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