Onde os velhos não têm vez

Meu primeiro contato com Cormac McCarthy foi lendo “A Estrada”. A história de um pai e um filho tentando sobreviver, em um cenário pós-apocalíptico, havia sido uma experiência imersiva; menos pelo cenário em si e mais pelas reflexões sucitadas, muitas delas através dos diálogos.

Em “Onde os velhos não têm vez” lembrei o que havia me agradado na escrita de McCarthy e o que não havia gostado tanto. Minha ressalva fica por conta de alguns trechos que se tornam confusos pela forma como os diálogos se estruturam, já que isso se repetiu nos dois livros.

Mas este, aqui, é demais! Um enredo que prende do início ao fim. Precisamos saber o que vai acontecer com o jovem veterano da Guerra do Vietnã, Llewelyn Moss, depois que ele se mete numa baita confusão.

Imagina você estar caçando antílopes, na fronteira do Texas com o México, quando se depara com uma cena de negociação frustrada do narcotráfico. Estão todos mortos. O grupo que vendia heroína e os compradores. A droga ainda está lá, mas isso não interessa para Moss. O que o interessa é aquilo que despertaria interesse de qualquer um: 2 milhões de dólares! Ali, em uma valise, à sua disposição. Claro que existem questões éticas e morais a serem consideradas. E é óbvio que alguém vai querer reaver esse dinheiro, mas Moss é tomado pelo impulso e pelo desejo de resolver sua vida com uma grana que, certamente, ele não quer devolver aos seus donos. Ele os despreza e quer mais é que tenham prejuízos. E é aí que tudo começa.

Moss passa a ser perseguido pelo psicopata Anton Chigurh, um matador de aluguel, que quer reaver todo o valor e devolver ao seu verdadeiro dono. Enquanto o xerife Bell acaba tendo a incumbência de resolver o caso e ir atrás destes dois homens para tentar evitar que mais mortes aconteçam. Obviamente a mulher de Moss acaba implicada em tudo isso. E essa história ganha muito em nos deixar sem conseguir respirar até que as coisas se resolvam.

Aliás, as reflexões do xerife Bell, intercalando as cenas de fuga e perseguição, tornam-se convites para se pensar os “tempos modernos” em contraste com os “tempos antigos”; normas de comportamento, sobretudo, além dos segredos que nos acompanham por toda a vida.

Confira a resenha no canal e te inscreve por lá!

Deixe um comentário