Palestina, de Joe Sacco, e Esperando Godot, de Samuel Beckett são os próximos livros que pretendo trazer para conversarmos melhor no canal do Sujeito Literário, no YouTube.
Hoje terminei a leitura desta HQ, que pertence ao gênero do jornalismo em quadrinhos, e ficou retumbando uma série de coisas na minha cabeça, que me levaram de volta a uma das minhas últimas leituras, que é justamente a peça de Beckett, já que ela trata do absurdo da existência e de uma espera por algo que nunca chega. Poderia este “algo” ser o tal “processo de paz” entre Palestina e Israel? Penso que sim. E a grande reportagem de Sacco, em formato de gibi, realizada há mais de 30 anos, só reforça a minha convicção. Aliás, recentemente, em entrevista publicada na Folha de São Paulo, o jornalista norte-americano afirmou que, de lá pra cá, o cenário só piorou, acabando com qualquer esperança por acordos de paz.
Penso que temos muito o que refletir sobre o quanto essa situação só escancara o absurdo da nossa condição humana e ninguém melhor do que Beckett para ajudar nessa contenda. A sua peça foi escrita após a desolação e total descrença na humanidade, provocadas pelo advento dos regimes totalitários, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Esperando Godot não tem uma ambientação específica, podendo remeter a qualquer lugar e a qualquer momento, sobretudo onde a essência da condição humana é colocada à prova.
Curioso lembrar, também, que, em 1984, Ilan Ronen levou Esperando Godot à Palestina, em uma produção adaptada, em que Vladimir e Estragon (o par de vagabundos que contracenam ao longo de toda peça) usam de uma linguagem que acentua os marcadores de classe e as relações de poder presentes no conflito árabe-israelense, já que a população Palestina sofre, há décadas, com o processo de ocupação militar e colonização de suas terras.
Não vou falar dos dois livros, em conjunto, no canal. Vou abordar cada livro em uma resenha específica porque ambos precisam ser tratados nas suas especificidades. Mas vale estabelecer essa relação pelo menos, aqui, como nota a ser dirigida a quem acompanha o nosso perfil literário.
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