Tudo é rio, de Carla Madeira

Tudo é rio, de Carla Madeira , nos conta a história da prostituta Lucy, desejada por todos, mas rejeitada por Venâncio, que é casado com Dalva; iluminando nossa compreensão para além do que, apressadamente, poderia parecer uma mera narrativa sobre um “triângulo amoroso”.

Ao ler esse livro também passamos um tempo com Aurora, mãe de Dalva, que nos presenteia com uma “carta” à filha sobre “a vontade de Deus”, capaz de estremecer o mais convicto dos ateus.

Eu criei um envolvimento com a história que me transportou para essas páginas como há muito não acontecia – e olha que a leitura anterior, Stoner, também tinha sido uma porrada!

O ritmo é perfeito. Os capítulos são curtos. As definições sobre os temas mais urgentes das relações entre casais, pais e filhos – considerando as culpas, os remorsos e o perdão – se misturam ao impacto de um crime imperdoável. Assim a violência e a dor aparecem, logo de início, como resultado de uma “herança familiar”.

Lendo o livro somos convidados a pensar sobre as marcas, que, inevitavelmente, vamos deixar gravadas nos nossos filhos, enquanto navegamos, juntos, pelo rio da vida – sejam elas boas ou ruins!

A verdade é que não somos de todo bons nem ruins. Nenhum de nós! Não se engane. Pare de apontar o dedo! Pode levar tempo para compreendermos e aceitarmos isso, mas assim que é. A verdade é que somos o resultado do que de bom e ruim vamos cultivando ao longo das nossas vidas. Portanto, deixe pra lá o maniqueísmo. Não existem respostas fáceis!

Em síntese, esse livro é para quem quiser aprender, de forma despretensiosa, com uma linguagem direta e cheia de sabedoria, sobre o que nos torna humanos!

Agradeço os conselhos de Aurora, o exemplo de Dalva, a autenticidade de Lucy, o remorso de Venâncio, porque eles tornam a literatura verdadeiramente transformadora.

Os sentimentos correm em nós como um rio. Cabe a cada um de nós deixar fluir o que de bom nossos pais, como nascentes, nos ensinaram; mas também saber represar, ainda no leito, o que de ruim nos transmitiram e insiste em chegar a foz dos que convivem conosco, principalmente os nossos filhos!

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