Conhecido muito mais pelas suas adaptações, nunca havia “despertado” muito o interesse por ler Frankenstein, da autora inglesa, Mary Shelley.
No final deste mês de junho, ainda em um momento de retomada mais periódica de leituras e reorganização da minha vida, acabei pegando para ler este clássico na esperança de dizer “algo a mais” sobre a nossa relação com o que nos é desconhecido.
Certamente o livro me surpreendeu. Lembrou um pouco Moby Dick, que li recentemente, já que um dos narradores da história – o capitão Walton – encontrará o cientista Victor Frankenstein à deriva, no mar, em perseguição ao “monstro” que criou. Sim, Frankenstein é o nome do cientista e não do monstro!
Confesso que o início da história, de forma epistolar, com Walton contando a sua irmã, Margareth, sobre suas viagens não me empolgou. Mas a história que se segue, após Walton resgatar Frankenstein, quando este último passa a narrar tudo que se sucedeu após dar vida a “uma matéria morta”, que se tornou um “homem horrendo”, nos leva a refletir sobre diversos aspectos da natureza humana.
A busca por reconhecimento, a necessidade de ter com quem compartilhar dos momentos bons e ruins, o desprezo pelo que é fruto do nosso trabalho e a rejeição ao que está para além da nossa compreensão fazem parte de dilemas que são próprios da nossa sociedade ainda hoje e que tão bem foram trabalhados, de forma metafórica, em uma obra publicada no início do século XIX.
Quando nossos maiores pesadelos, enfim, “ganham vida”, devemos escolher entre o acolhimento e o desprezo, porque independente desta escolha sempre haverá consequências.