Trabalho – uma história de como utilizamos o nosso tempo, da Idade da Pedra à era dos robôs, de James Suzman

Finalizada a leitura de “Trabalho – uma história de como utilizamos o nosso tempo, da Idade da Pedra à era dos robôs”, quero te falar, nesta resenha, as minhas impressões sobre a obra, que é um lançamento da Editora Vestígio

É importante dizer que estava com uma expectativa bem alta com esta leitura, mas, infelizmente, em boa parte, isso não se confirmou. O livro tem alguns méritos inquestionáveis, como, por exemplo, pensar o conceito de trabalho para além dos aspectos políticos e econômicos – enfatizando as diferentes formas de se lidar com o problema da escassez, mas acaba deixando de mencionar questões centrais referentes à temática do trabalho, além de se arrastar muito até chegar à Revolução Industrial e dar pouco espaço para a chamada “era dos robos”.

Como, conceitualmente, a economia trata dos “sistemas” que desenvolvemos para determinar como serão destinados os recursos escassos dos quais dispomos, com o objetivo de satisfazermos nossas necessidades e desejos, achei muito interessante uma obra se propor a tratar da escassez sob um prisma que parte das necessidades absolutas, mas não se encerra nelas, buscando em Keynes uma referência às “necessidades relativas”, considerando o contexto social para se pensar a energia despreendida na realização de diferentes tarefas.

O problema, ao meu ver, é o autor ter se detido exaustivamente em questões desta ordem, além de aspectos biológicos e comportamentais (com uma linguagem meio no estilo “você sabia”), e deixar de mencionar acontecimentos históricos centrais para um livro que aborda a questão do trabalho.

Refiro-me, por exemplo, à não referência ao 1º de maio – dia do trabalhador. Ao discutir o tema da diminuição da jornada de trabalho, Suzman não faz nenhuma menção aos mártires de Chicago e à Greve Geral, de 1886, que foi determinante para a diminuição da jornada de 13h para 8h, desconsiderando aspectos históricos que são centrais ao se pensar formas de resistir aos impactos das transformações no mundo do trabalho, sobretudo nos dias de hoje, que, como o próprio autor enfatiza, nos provoca a rever a nossa relação com o tempo e o trabalho para assegurar um futuro mais sustentável.

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