O Pianista da Estação, de Jean-Baptiste Andrea

Relutei um pouco para começar a leitura de O Pianista da Estação. Não que eu não quisesse lê-lo, pelo contrário. Ele já estava na minha lista, antes mesmo de receber o primeiro livro enviado pela parceria com a Editora Vestígio, mas eu estava em um momento daqueles que as leituras se arrastam e pensei que esta poderia ser mais uma leitura que não tiraria muito proveito. O bom é que os livros nos surpreendem.

O personagem principal e narrador dessa história – o Joe – é um senhor, de 69 anos, que aprendeu a tocar Beethoven, desde criança, mas, durante esse aprendizado, esteve sempre a procura da “batida perfeita”, como diria Marcelo D2.

Ao sair do orfanato para o qual foi mandado, aos 15 anos, depois de um trágico acidente que tirou a vida de seus pais e da sua irmã caçula, Joe decidiu que iria dividir o seu talento com todas as pessoas que transitam pelas estações de trem e aeroportos da Europa e dos Estados Unidos.

Ele tem um bom motivo para isso. Aliás, corrijo-me. Ele tem mais de um bom motivo para isso. Quatro deles – seus melhores amigos – compartilharam com Joe uma rotina de violência e abandono, cujo sentimento de culpa, imposto pelo fanatismo religioso, certamente deixou marcas.

Foi inevitável ouvir Beethoven ao ler esse livro – com playlist já adicionada no Spotify, inclusive. Aliás, se eu pudesse, agradeceria pessoalmente ao autor Jean-Baptiste Andrea por isso. Tenho certeza de que, a partir de agora, a música clássica passará a fazer parte do meu dia a dia.

Mas não é só isso. O livro nos provoca a olhar com mais carinho para o nosso “eu” da infância. Revela que aprender a perdoar a nós mesmos – independentemente de termos, ou não, culpa daquilo pelo qual acabamos nos punindo – é, também, uma forma de aprender a “tocar melhor” o coração dos outros.

Não quero dar spoilers, mas o antepenúltimo capítulo desse livro é daqueles que tiram completamente o fôlego e você só volta a respirar quando ele se encerra. A sorte é que os capítulos são curtos, o que dá um ótimo “ritmo” para a leitura.

Um dos melhores do ano, até aqui, com certeza!

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