Primeiro contato com a obra de Samuel Beckett e não tem como sair indiferente ao que essa leitura nos provoca.
Claro que eu não poderia deixar de citar a parceria da Aritana Becker – ou seria Aritana Beckett? – nessa viagem, que se dispôs a reler a obra para discutirmos o tanto que a literatura do absurdo pode nos dar a pensar. (Em breve vamos levar essa conversa para o canal do YouTube)
Mas queria registrar, aqui, como é boa essa “comunicação” com outro(a/s) leitor(e/a/s), enquanto estamos imersos no texto, mesmo que a leitura seja justamente sobre a impossibilidade da comunicabilidade moderna.
Molloy e Moran! Dois narradores, duas partes, mendigo e trabalhador, pedras e pastilhas, abelhas e galinhas, filhos e mães, pais e filhos, Cristo e anticristo… tantos “pares” – ou melhor, díspares – quanto possível for de se formar, nessa eterna “busca” por um sentido para a nossa existência. Apenas um!
Estamos todos a caminhar e a se “equilibrar”, no deslocamento entre supostos pontos de partida e de chegada, enfrentando os próprios limites físicos e biológicos, do que muitos chamam de “jornada”.
Tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos em nossa essência humana, seguimos, criando métodos e estabelecendo rotinas. Assim, vamos longe, ou ficamos parados no mesmo lugar, tanto faz, porque, na maioria das vezes, nem mesmo somos capazes de comunicar o que sentimos. Ou, TALVEZ, sejamos…
Beckett não vai te dar uma “história” pronta, delimitada no espaço e no tempo, com reflexões que te permitem se apegar a uma falsa “esperança”. Ele vai te entregar o que sobrou – e sobrou? – do homem moderno, resultado do “pós-guerra”, que, ainda hoje, não demonstra que tenha compreendido absolutamente nada. Daí essa imensa incapacidade de se comunicar, seja com o seu interior, seja com o exterior.
Outras leituras de Beckett certamente virão e vamos aprofundar essas questões. Por ora, fica o convite para que aceitem fugir ao rebanho, desviar um pouco do matadouro – mesmo que por uma fração de tempo – e repensar a forma absurda com a qual “conduzimos” – ou são conduzidas – as nossas vidas…
Vamos ler Beckett!