O livro Porco de Raça, do escritor, tradutor e roteirista, mineiro, Bruno Ribeiro, foi uma das minhas últimas leituras. O projeto gráfico dispensa comentários, já que foi lançado pela DarkSide , com mais um trabalho primoroso do cartunista Wagner Willian.
Por se tratar de uma distopia – e sendo esse um gênero que eu gosto muito – não é possível esperar que a narrativa “faça sentido o tempo todo”, seguindo uma ordem linear, mas é justamente em meio ao caos, que eu, pelo menos, encontrei algo que prezo muito e que não encontrava desde que li o livro Zero, do Ignácio de Loyola Brandão, que é uma forma visceral de se fazer críticas necessárias ao racismo e a essa sociedade hipócrita – e doente – que a gente vive e que, se prestarmos bem a atenção em seu funcionamento, na maior parte das vezes realmente não vai fazer sentido nenhum.
O narrador é um professor, negro, e desempregado, que deve para várias pessoas, e que tem um irmão que é político. Um cara que se adaptou aos padrões de “embranquecimento” da sociedade e costuma livrar ele das dificuldades financeiras. Mas faz isso muito mais por obrigação do que por amizade ou reconhecimento do trabalho do irmão docente. Aliás, cada acontecimento tem um porquê de estar onde está e de se desenrolar da forma como se desenrola.
É um livro que trata de violências físicas e psicológicas – como pedofilia, prostituição, corrupção e todas as mazelas que fazem parte do sistema no qual vivemos, mostrando o quanto estes problemas são componentes de algo maior, capaz de transformar toda dor e sofrimento em mercadoria, como no caso dos reality shows, quando levados a situações extremas, num contexto em que política e religião andam de braços dados.
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