Capitães da Areia é um livro para ser lido por todos, mas, principalmente, por jornalistas em atividade ou em formação. Não apenas porque traz uma importante crítica social, abordando, em profundidade, a vida das crianças que vivem nas ruas e o conflito de classe que é inerente ao mundo do crime para onde são levadas, mas porque é fruto de uma experiência que não é só literária.
É social e é política. Social porque o autor, Jorge Amado, foi dormir, no trapiche da Bahia, com as crianças abandonadas – de oito a 16 anos -, para construir essa narrativa que emociona muito de tão atual que ainda é, mesmo sendo de 1937. E é também política, uma vez que o então militante do PCB enfrentou problemas com a ditadura de Vargas, durante o Estado Novo, tendo, inclusive, este livro sido queimado. Sem contar que suas obras também foram proibidas de circular por seis anos.
Que lição este verdadeiro manifesto da luta de classes brasileira nós dá, considerando o contexto que vivemos hoje! Leiam ou façam como eu fiz e releiam, porque o Eduardo que leu Jorge Amado, hoje, já adulto, fez uma leitura inédita e foi tocado de uma forma que não era capaz de absorver anteriormente. Como diria o samba que Boa-Vida escreveu: “chegou a hora de ir para a luta, companheiros”. Eles sabiam que nada mais estremece o aparelho repressor do Estado do que “atabaques ressoando como clarins de guerra”.
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