Achei engraçado esse livro ser enquadrado como “literatura infanto-juvenil”, porque, sem conhecimento histórico do contexto em que se passa a história e sem maturidade suficiente para compreender as críticas quanto à natureza humana, acho que se perde o melhor do conteúdo.
O livro foi escrito em 1726 e, ao narrar as quarto viagens do autor (por terras de seres minúsculos, gigantes, tipos peculiares de cientistas e honrosos cavalos), expõe não só os vícios da sociedade inglesa e europeia, na passagem dos séculos XVII e XVIII, mas também da contemporaneidade, cuja experiência, fundamentada na mentalidade burguesa e liberal, ainda carece de melhores respostas sobre a eficácia da nossa forma de organização social e política.
É uma bela sátira daquele período histórico, que, ao meu ver, pode ser melhor compreendida com um conhecimento prévio das revoluções inglesas (Revolução Puritana e Revolução Gloriosa), por isso a indicação de outro livro – A era das Revoluções, do Eric Hobsbawm -, para ler em paralelo. Fica aí mais uma, ou duas, dica(s) para quem se interessa por literatura.
Confere aí:
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