As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

Indiscutivelmente um clássico da literatura latino-americana, o livro As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, se mostra cada vez mais necessário diante contexto geopolítico atual. Neste ano de 2021, a obra completa 50 anos da sua publicação

Ao contrário do que poderia supor o próprio autor, que, em 2014, durante a Bienal do Livro de Brasília, chegou a brincar que “cairia desmaiado” caso tivesse que reler o seu livro, a história de perdas e ganhos, na exploração dos recursos naturais da América Latina, não está superada. As veias da latino-américa continuam sangrando – e cada dia mais!

“Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas foi uma etapa que está superada para mim”, chegou a dizer Galeano, sobre a obra. Mas é importante considerar que, no momento em que deu esta declaração, fruto de uma evidente autocrítica à narrativa tradicional de esquerda, que, segundo ele, seria “chatíssima”, e, portanto, precisaria se reinventar, Galeano talvez vislumbrasse um futuro de crescente independência política e econômica dos países latino-americanos, o que, hoje, sabemos que não tem se confirmado.

Li este livro em duas oportunidades. A primeira ainda muito jovem; já a segunda, quando estava dando aula, no curso de Jornalismo da UFPel, e precisava resgatar alguns temas, dentro de uma prosa que aproxima literatura e um sério trabalho de apuração jornalística, cujos fatos narrados – sejam considerados de uma narrativa densa ou coloquial (e até mesmo poética) – são reais e precisam ser de conhecimento de todos. É bom lembrar que, durante o período de ditaduras militares, o livro chegou a ser proibido no Brasil, Uruguai e Argentina.

Galeano faleceu, em 2015, aos 74 anos, vítima de um câncer de pulmão. Mas, como se pode perceber, até os seus últimos dias se notabilizou enquanto um escritor que jamais deixou de olhar para tudo que escreveu, ao longo de sua vida, de modo crítico. Preocupava-se, de forma utópica – e admirável-, em avançar, cada dia mais em busca de um “horizonte” em que o mundo, finalmente, pudesse vir a ser mais justo, solidário e fraterno.

Para isso, hoje, é preciso deixar que as veias abertas desse passado doloroso de exploração e escravidão das populações negras e indígenas não sejam ignoradas. Elas têm sangrado, dia após dia, com o aprofundamento do processo de expropriação dos nossos recursos naturais e bens públicos, servindo a interesses privados e não ao conjunto da população. Conforme Galeano nos ensina, hoje, mais do que nunca, é preciso fazer com que os efeitos das “conquistas” de outrora, alicerçadas em humilhações e exploração, não continuem despedaçando nossa identidade cultural e, consequentemente, a nossa dignidade!

Por Eduardo Menezes – Sujeito Literário

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