Resenha de Cem Anos de Solidão (sem spoiler)

Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez – o Gabo – foi uma das minhas primeiras leitura de 2020. Resenhei sobre esta importante obra, inicialmente, em minhas redes sociais, incluindo o Skoob.

Mas, vamos ao que interessa!

Cem Anos de Solidão narra a saga da família Buendía, pelo “olhar mágico” de um dos mais importantes escritores de todos os tempos. Mestre do realismo fantástico, Gabo mescla situações do âmbito do absurdo com acontecimentos reais, dando uma contribuição decisiva para a construção da identidade latino-americana. Durante este percurso literário nos defrontamos com situações inusitadas, como a “peste da insônia”, e um período em que “choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias”, mas também são recontadas situações reais, como o Massacre das Bananeiras. O autor traz esse episódio para o âmbito da ficção, denunciando o massacre orquestrado pelo governo norte-americano, em dezembro de 1928, contra trabalhadores da United Fruit Company, em uma cidade colombiana próxima à Santa Marta. Ao cruzarem os braços em busca de melhores condições de trabalho, eles foram duramente reprimidos pela polícia.

O ponto alto do livro, ao meu ver, é que, por meio das diferentes visões de mundo dos personagens somos convidados a refletir sobre as principais características da nossa Pátria Grande, em uma localidade fictícia, chamada de Macondo, que resulta de um movimento migratório. Do processo de colonização, passando pela influência do capital estrangeiro e pelas disputas políticas entre liberais e conservadores, acompanhamos sete gerações da família Buendía. Com o passar dos anos, os desejos e angústias dos personagens vão confluindo em uma teia de relações que envolve completamente o leitor.

A união dos primos Úrsula Iguarán e José Arcádio Buendía nos leva a identificar as primeiras características da construção da nossa identidade enquanto sujeitos latino-americanos. O preconceito dos familiares em relação ao casal traz pontos importantes para serem observados na obra. É possível identificar, também, nesta relação, a marca que a religiosidade e a cultura das aparências emprestam à constituição familiar.

Além disso, chamou a minha atenção os diferentes olhares sobre o local e o estrangeiro, personificados nas diferentes visões de mudo do casal. Enquanto Úrsula volta-se muito mais para o local e para a unidade da família, José Arcádio constrói uma grande amizade com um cigano – chamado Melquíades -, interessando-se por estudar alquimia, desvendar pergaminhos e trazer para o interior de Macondo toda “tecnologia” já desenvolvida no exterior.

Outro aspecto importante, que irá redundar no desfecho da história, é a análise psicológica que a matriarca da família faz das gerações que descendem dos seus filhos José Arcádio e Coronel Aureliano. Importante ressaltar que Úrsula atravessa gerações, por mais de 100 anos, conservando sua visão de mundo, e se defrontando com uma pluralidade de ideias riquíssimas e poéticas. De modo a situar o leitor ao que mais interessa, ao longo das gerações, ela observa que, enquanto os personagens que recebem o nome de “Arcádio” são mais impulsivos, possuem maior vigor físico, são mais extrovertidos e trabalhadores, os que recebem o nome de “Aureliano” são mais estudiosos, introvertidos e, de certa forma, ficam presos ao íntimo da sua contemplação do mundo.

Dica de leitor: ao “desvendar essa obra” não se prenda a “decorar nomes”, deixe-se levar pela história e pela magia que somente a poesia de Gabriel García Marquez é capaz de nos oferecer.

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Ficha Técnica:

Livro: Cem Anos de Solidão

Autor: Gabriel García Márquez

Editora Record

Número de Páginas: 448

Resenha para o Programa Futebol e Cultura (resumida):

Resenha completa para o canal do YouTube:

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